Mel Hoffmann

Consultoria em Comunicação Personalizada
Samira Campos arma desfile para apresentar sua coleção ethne

Peças feitas à mão com fibras naturais. Design que renova antigas tradições. Moda com propósito e valor. Esse é o espírito da marca ethne. Depois de 30 anos trabalhando como jornalista de moda na afiliada da TV Globo, em Santa Catarina, e hoje na plataforma Parismania, em Paris, Samira Campos resolveu se lançar em paralelo à uma nova frente, a da criação.

A ethne nasceu como um mergulho no resgate de antigas tradições: uma marca de valor sentimental e peças cheias de emoção, feitas para durarem para sempre, como uma fábula que é passada através das gerações. A palavra ethne é a raiz etimológica de “etnia“, que vem do grego antigo e significa “foreign nations” – nações estrangeiras. Índia, Quênia, Gana, Equador, Colômbia e Brasil são algumas das culturas que fazem da ethne um projeto tão especial.

As peças foram apresentadas em desfile realizado no último domingo

Criações feitas à mão e acessórios selecionados ao redor do mundo se unem em coleções irreverentes e originais. As roupas são generosas e se ajustam aos mais variados tipos de corpos, preservando o conforto e a liberdade feminina.

O caftan foi eleito como uma das peças chave: cheio de personalidade, ele é um coringa que permite com que a mulher circule por ambientes variados, do despojado ao mais sofisticado, apenas mudando os acessórios. Quimonos, túnicas e vestidos com shapes soltos complementam a coleção.

Todas as peças são feitas à mão e estampadas com técnicas tradicionais como o block printing, a arte
milenar de estampar tecidos através de carimbos de madeira esculpidos por habilidosos artesãos, uma sabedoria que surgiu na antiga Pérsia e segue em plena atividade na Índia. Tingimentos artesanais também foram escolhidos para colorir as sedas e os algodões naturais das criações da ethne. O destaque fica por conta dos shiboris, uma técnica em que o tecido é manipulado através de costuras e amarras e depois imerso em corantes, revelando, ao final do processo, estampas únicas que tem como elemento surpresa o fato de jamais serem iguais.

O bandhani que tinge as sedas puras da coleção é uma técnica tradicional do Rajastão, cujo nome vem da palavra sânscrita banda, que significa “amarrar”, e consiste em cobrir pequenos pedaços do tecido com linha, criando desenhos e padrões geométricos a partir da concentração de pontilhados. A cartela têxtil é rica em detalhes, trazendo para a passarela tecidos feitos à mão em tear, sedas puras, algodão malmal de toque levíssimo e pashminas originais do vale da Caxemira, confeccionadas no norte da Índia.

Os chapéus foram desenvolvidos em parceria com a designer equatoriana Stephany Sensi

Os alegres bordados florais que encerram o desfile são feitos pelas nativas da região de Otavalo, no interior do Equador. O chapéu palha toquillla, declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco é uma paixão de longa data. Samira traz para a coleção um trabalho exclusivo em parceria com a designer equatoriana Stephany Sensi, cujas criações estão em grandes magazines como a Bergdorf Goodman. Juntas elas desenvolveram chapéus e bolsas primorosos, que apresentam uma releitura contemporânea dos acessórios de palha toquilla. Forte tendência da temporada, hoje eles já não se restringem mais ao ambiente de praia, conquistando as ruas das principais capitais da moda ao redor do mundo.

 

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